segunda-feira, 16 de novembro de 2015

E... Estamos de volta?

I: Então... Queria desabandonar o KK!

Mas, porém, contudo, num layout de post ultra mega hiper mais simples. Tava pensando em ser um esquema de conversa, mas conversa mesmo, num tom mais informal. 

C: Eu queria dar um tapa no visual dele, mas não sei como. Queria um banner com duas bonequinhas.

I: Em vez de bonequinhas, porque acho que isso ia ser difícil de providenciar, podíamos utilizar fotos de artistas de que gostamos.

E assim nasceu o novo layout do Kabhi Kabhie... Bollywood.

C: Momento NOW OR NEVER!
Você queria falar de retorno, não era isso?

I: Não tem muito o que falar sobre retorno, tem? Que dê uma postagem inteira?

C: Acho que a gente poderia falar um pouco sobre como as nossas vidas mudaram, como nem mais comunidade temos e com isso, ir refletindo sobre o que estamos vendo agora.

I: Pois então... 
Como nossas vidas mudaram, Carol?

C: Pera, isso já é o post?

I: É sim. Você vai ver. Segura na mão de Deus e confia. Vai ser mais fácil pra gente.

C: Ok, então. Acredito que nossas vidas mudaram de forma definitiva, Isa. Afinal, só uma mudança forte pode justificar uma ausência de três anos, não? Ou isso, ou a preguiça.

I: Acho que a preguiça me define melhor (risos). Mas eu também tive um filho, isso ajuda? Quem lê até pensa que nasceu faz anos, e só tem nove meses, o coitado.

C: Ninguém precisa saber, tá aí sua justificativa, RISOS.

Ô, se ajuda ter um filho. Podendo escolher entre limpar cocô e escrever sobre certos filmes, quem não escolheria uma fralda suja?

No meu caso não houve bebê, mas houve a vida adulta batendo à porta. Era bem mais fácil ficar brincando de crítica de cinema durante os anos de ócio da faculdade do que depois que me formei. Sabem aquele negócio que chamam de trabalho? E aquele negócio que chamam de contas a pagar? Vieram clamar pela minha presença com força e não teve nenhum Raj me resgatando do sequestro.

I: Isso sem contar com todas as vezes em que a gente tentou sentar e escrever um post e obstáculos bateram à nossa porta, né?
Curiosamente, nos vimos mais no período de hiatus do blog do que em todo o período ativo dele. Ê vida.

C: É verdade, repentinamente ficamos super sociáveis. Então, será que poderíamos falar que realmente houve um hiato? Podemos considerar que na verdade, fizemos um KK-Bollywood versão ao vivo. O hiato foi uma ilusão. Sempre estivemos aqui. Vocês todos estão errados.

I: Concordo. Ainda mais porque, descobri hoje, temos uma postagem em Rascunho que nunca colocamos no ar. Sabia disso, Carol? Ela está completinha.

C: Pior que eu sabia e combinei com você de publicá-la pelo menos duas vezes nos últimos anos, mas sabe lá por que fui adiando. Não quero que Freud tente explicar.

I: Relaxa, eu vou deixar esse clima de suspense na mente do povo, adicionar imagens ao post e publicá-lo quando menos esperarem.

C: Agora, o público quer novidades. Posso contar uma sua?

I: Pode, mas só se for das boas.

C: Pois bem, meu povo. Isabela está perdidamente apaixonada por ESTE HOMEM.

O homem mais lindo do mundo em
um momento de descontração.

I: QUERO VER SE, QUANDO NOS CASARMOS E TIVERMOS FILHOS, VOCÊ AINDA ZOMBARÁ DE MIM!

Sabia que isso é muito cruel da sua parte? Ele é alguém que existe nos meus sonhos, mere sapnon ka raja. Vê-lo só me lembra que ele nunca poderá ser meu, e sim da Deepika. ~Lágrimas chororsas~ Bem, antes apaixonada por ele do que por alguém que tem idade para ser meu avó, né non?

C: Depois que me acostumei que não terei o corpo da Deepika, os cabelos da Deepika, os olhos da Deepika e o dinheiro da Deepika, acho que não sofreria tanto ao adicionar o namorado da Deepika à lista. É só mais um item representando a superioridade daquela mulher mesmo.

Por falar nela, novidade: agora eu a adoro, meu fiel povo do blog. Não a achava nem uma atriz regular e agora escolho filmes com base em quanto tempo de tela terei para admirá-la.

SE CERTAS PESSOAS ESTÃO FALANDO DO RISHI KAPOOR, ESPERO QUE RETIREM A COMPARAÇÃO ENTRE O MAIOR ATOR DE TODOS OS TEMPOS E ESSE FILEZINHO DE BORBOLETA.

I: Eu, ultimamente, entretanto, ando bem chata quanto a filmes indianos e seus atores, e tenho preferido dar chance a pessoas que nunca vi antes do que confiar nos meus antigos preferidos. Exceto quando se trata do meu futuro marido na Terra do Nunca, porque dele já vi (quase) todos os filmes.

TEM ALGUÉM POR AÍ que não só admira o Rishi como um tal de Rajendra Kumar. Dois avôs em potencial.

Admito que eram ambos jovens de respeito.

C: Eu sonhei que era casada com o Rajendra Kumar, gente. Ele vestia um terno rosa. Ainda não posso falar sobre o assunto sem alguma emoção. Passei dois dias tentando voltar para o mesmo sonho.

Ainda confio muito na minha galera porque... bem, minha galera é basicamente todo o mundo. Mas sabe quem ainda enche meu coração de amor a cada filme? Aamir. Sempre ele.

I: E P.K.? Nós vimos juntas, então precisamos falar sobre esse filme! Pra ontem! Aamir é como vinho, a cada ano tem ficado melhor. Ao contrário de certos Shahrukhs por aí...

Ando muito viciada em clipes dos anos 90 do Hrithik Roshan. Estou quase me internando voluntariamente num hospício, seriamente cogitando a possibilidade.

C: Gente, o Hrithik! Nem lembrava dessa pessoa. Do que se alimenta, por onde anda, como se reproduz? 

O meu vício atual são ebooks sobre Bollywood. Porque sou fina. E atores novos bonitos (olá Varun, olá Siddharth!). Porque sou... deixa pra lá.

I: E agora?

C: Agora a gente convida toda a galera a voltar a KK. Sabe por quê? Porque agora estamos mais adultas. Mais maduras.
Ok, mentira. Só estamos velhas mesmo. Mas pelo menos queremos nos divertir por aqui e acho que todo o mundo quer um pouco de animação na vida. Alguém quer vir junto?

I: Partiu! E esse é o momento, galera, sugiram o que quiserem que falemos sobre: surgiu algo, estamos topando (me senti quase promotora de eventos agora). Espero que vocês gostem, porque nós com certeza estaremos nos divertindo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Bollywood em tela grande: Fanaa!

C: Amigos, romanos e conterrâneos! Depois de tanto tempo, só poderíamos voltar aqui para falar de algo especial. E este 'algo' foi esperado por nós durante muitos anos: finalmente um filme de Bollywood estrearia nos cinemas brasileiros. A distribuidora Bollywood Filmes foi à Índia, fuxicou aqui, fuxicou ali, bateu altos papos com a Yash Raj e trouxe Fanaa para ser exibido nas salas de cinema. Percebem a enormidade disto? Bollywood numa sala de cinema sem ser numa mostra ou em um festival!

Nós e nossos amigos ficamos todos em polvorosa com a notícia. Combinamos grupos que assistiriam ao filme em várias cidades do Brasil, fizemos contagem regressiva, relembramos momentos queridos do filme. É claro que se levantou a questão 'Por que logo Fanaa?', mas partimos do que já estava feito e apreciamos a vinda de Mr. Aamir Khan e Dona Kajoleta Devgan para as telonas. Isa, eu e nossa caravana tentamos ver o filme no New York City Center, na Barra da Tijuca, mas a experiência foi ingrata. Horários desencontrados, sessões inexistentes, atendentes desinformados, muito cansaço e dor de cabeça. Isa foi lanchar, eu fui ver Rock Of Ages (Tom Cruise, seu lindo!) e Fanaa sumiu de nossas vidas até ganharmos ingressos para ver o filme numa promoção feita na página da Bollywood Filmes no Facebook. E nos deslocamos lindas, descabeladas e sob chuva para o Recreio Shopping.

#FANAÁTICAS

I: E chegamos, quase tendo que pagar nossos tão merecidos ingressos no Recreio Shopping, mas conseguimos. Fomos direto para a sala de cinema e a emoção começou.

Devo observar que, além de nós duas, fãs desesperadas, havia um senhor e uma senhora no cinema. Isso mesmo, só quatro pessoas. E, pelo que ouvimos falar, o panorama foi basicamente o mesmo na maior parte das salas do país, durante as sessões. Infelizmente o filme não teve grande divulgação além da internet por aqui: cinemas sem cartazes, painéis com horários trocados. Mas o cinema lindo e loiro a que fomos pela segunda vez tinha um cartaz! Tanta emoção, vocês mal podem acreditar, Kajol e Aamir para todos verem.

Um pouco sobre o filme. Fanaa conta a história de Zooni (nossa linda Kajol), uma moça cega que, decidindo ir para New Delhi por uns tempos e sair da aba de seus protetores pais (maravilhosos Rishi Kapoor e Kirron Kher), conhece Rehan (Aamir Khan coraçãozinho), por quem se apaixona e decide viver uma história de amor, com direito a horas de recitais de poesia e muita canastrice.

Sabe, a lembrança que eu tinha de Fanaa quando vi pela primeira vez era de ter me apaixonado a metade inicial do filme e desprezado a outra parte. Pensando agora, penso que foi tudo um misto de elementos: diálogos, cores, músicas. Mas isso foi há muito tempo. Ali, no cinema, muita coisa na minha opinião mudou.

"Isa, tá todo o mundo da fila olhando...
AH, VOLTOU! VAI, TIRA!"

O filme segue pela linha romântica durante mais ou menos uma hora. Para nossa infelicidade, foi cortada a maior parte das músicas: Des Rangila, Dekho Na, Chanda Chamke... Creio que, ao editar o filme, resolveram cortar qualquer item musical que pudesse se tornar irrelevante à progressão do filme; mesmo que tenha ficado estranho em algumas cenas, como a apresentação musical no teatro - que seria Des Rangila - que acabou se tornando somente um discurso e avançando para a cena seguinte.

C: Já conhecíamos o filme e sabíamos o que vinha pela frente, já que a distribuidora avisou que a maior parte das músicas seria cortada. Mas nada nos preparou para a sensação de esperar pelas canções e nos depararmos com um corte abrupto a cada vez. Pensávamos que a continuidade seria mais prejudicada do que realmente foi, isto devemos confessar. Mas isto é Bollywood. É como se retirassem o coração de alguém. *drama*


Como nos sentimos quando a distribuidora cortou as músicas:



I: Então ocorre a maior reviravolta possível no roteiro: após a operação para recuperação de visão de Zooni, enquanto Rehan buscaria seus pais na estação de trem para que todos se conhecessem e pudessem planejar um futuro casamento, ocorre um ataque terrorista no meio da cidade, resultando em mortes e destruição. Por isso, antes que Zooni pudesse se acostumar ao fato de voltar a enxergar e rever os pais (sem nenhum período de recuperação, é claro, a visão voltou quase por milagre), descobre que possivelmente uma das vítimas da explosão foi seu amado Rehan, cujos pertences foram encontrados entre os destroços.



C: Daqui em diante, teremos de revelar muito da história do filme, pois é difícil falar de Fanaa sem fazer isto. Alerta de spoilers.

Sempre preferi a segunda metade do filme. Pensei que minha opinião mudaria assistindo-o em tela grande, mas o que ocorreu foi encontrar todas as razões pelas quais acho a primeira parte uma bela chatice. A principal é a eterna troca de diálogos poéticos entre os protagonistas. No começo é engraçadinho porque ajuda a estabelecer a imagem de sedutor canastrão do Rehan, mas aí vem de novo, de novo, outra vez...nunca termina. Zooni também não é lá uma personagem muito interessante na primeira metade, com sua intensa devoção às lições ensinadas pelos pais. Não digo que seja um problema ser assim, já que eles a protegeram mais que o normal devido à sua cegueira, mas também não é uma situação que traga as melhores falas da personagem. Entretanto, há algo que se insinua ligeiramente nesta parte do filme e se desenvolve no resto: sua maturidade e seu senso de responsabilidade. Zooni não se coloca na posição de vítima de um sedutor romântico. Ela sustenta suas decisões quando vai atrás do que deseja.

É na virada que o filme fica bom. Finalmente conseguimos conhecer a difícil personalidade de Rehan, que, longe de ser um conquistador inveterado, é na verdade um homem perturbado por seu senso de dever com sua causa por eleições na Caxemira. Ou melhor, perturbado por um dia ter deixado aquele senso fraquejar diante do amor sentido por Zooni. Ele claramente não consegue (ou não quer?) entender a impossibilidade de conjugar seus atos terroristas à uma vida familiar tranquila com Zooni e o pequeno Rehan. Rehan parecia ter chegado àquele horrível momento no qual você não sabe como entrou em algo, mas implora ao universo para que algo aconteça e lhe tire dali. No passado, queria fugir do amor. No presente, do terrorismo. Sempre correndo, sempre escolhendo. Me surpreendi com os olhos muito abertos, fascinada por aquele personagem tão perdido.

Não me lembrava da Tabu no filme, talvez porque não fosse feminista na época em que o conheci. Mesmo assim, qual era o meu problema? Sua personagem é a Malini Tyagi, oficial das Forças Armadas muito segura de sua própria competência que tem de lidar diariamente com um colega de profissão altamente machista. Malini tenta pensar como um terrorista para seguir os passos de Rehan, e suas (corretas) conclusões não são muito levadas a sério por seu colega. O mais legal é que ela pouco se importa, porque ao contrário daquele estúpido, ela está ali para proteger o país. Não há uma tentativa do roteiro de masculinizá-la: Malini é uma mãe presente até onde é possível e profissional altamente competente. Ela não faz discursos sobre sua eficiência, apenas age e deixa que os resultados falem por si. Ficamos animadas com a personagem durante a sessão!

E, no cinema...

C: - Caramba, olha essa mulher!
I: - Girl power!
C e I: - Girl power, girl power! *braços estendidos*

Zooni também melhora depois do intervalo, mesmo que não se torne tão instigante quanto Rehan. Kajol fez um trabalho muito bonito ao mostrar a confusão da personagem em relação aos seus sentimentos pelo soldado que ela não imaginava ser Rehan. Ela consegue se mover (fisicamente) com mais liberdade após a recuperação da visão, porém se tornou uma pessoa mais fechada emocionalmente após a ''morte'' do homem amado. Kajol conseguiu transmitir esta mudança erm relação à abertura de Zooni para a vida sem fazer com que parecesse outra pessoa. Acredito que uma atriz menos talentosa não teria dado tanta consistência à personagem. Aliás, foi seu filme de retorno após um hiato de três anos. De Fanaa em diante notei uma Kajol mais madura enquanto atriz, parecendo ter maior controle sobre suas expressões corporais, sem perder sua capacidade de encantar.

I: Bem, no final das contas, Fanaa chega a ser um bom filme, emocionante, quis chorar ao ouvir os créditos finais ensurdecedores (é, o cinema estava com o som extremamente alto). Porém ainda é questionável a escolha do filme para nós. Não é um filme que chegaria a nos atingir, como seria o caso se o filme escolhido fosse 3 Idiots. Não é um filme com uma propaganda estimulante. Não houve divulgação suficiente. Esses pequenos problemas de sempre. Mas, para uma primeira vez, foi maravilhoso podermos ter o cinema indiano em telão! Esperamos que essa experiência possa ser repetida - e com títulos melhores e mais promissores. Depois de todo esse tempo, tentamos compartilhar essa experiência com vocês.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ilu Ilu

Estava eu, um belo dia, no ócio, e resolvi fazer algo que não fazia havia algum tempo: sair à procura de novas músicas e pérolas bollywoodianas no youtube, meu maior provedor de indianices. E eis que encontrei o seguinte...



O filme é Saudagar, e o ano, 1991. E isso é tudo que eu sei. Ou melhor, é claro que observando o clipe pude notar que é um casal que se ama (genial, Isa, "I love you, I love you"), que criou uma espécie de código nada secreto para dizer que se ama, "Ilu", e a música trata de explicar a todos que isso significa o amor entre os dois. E que tudo é muito, muito brega.

E o que me chamou a atenção em primeiro lugar foi a Manisha Koirala e seu cabelo super fashion. Eu me espantei ao perceber que estou muito acostumada a vê-la em papéis sérios ou tristes, que ver todo aquele estilo cocotinha colorida me deixou curiosamente surpresa. Até porque eu a acho uma moça bem bonita, sabe. 

Depois, comecei a reparar melhor no clipe em si. A musiquinha é tão bonitinha. Batida leve, vozes suaves, tudo obviamente romântico e fofo. O rapaz, que eu não fazia a menor ideia de onde era, mas me parecia familiar, a Carol fez questão de esclarecer quem é: um ilustre desconhecido. Ou Vivek Mushran Anand Irani, como preferir. Acho tão bonitinha a parte quando ele fecha os olhos e mexe o pescocinho e canta "ilu ilu" *batidinha* (1:26). 

Porém, o que mais me chamou a atenção nisso tudo foi a ambientação. Os pequenos detalhes que tornam Bollywood para terceiros um festival de Rivaldos, Saiam do Lago e Desculpa. Aqui vão alguns:

O que são aqueles dançarinos da primeira parte do clipe? Alguém se habilita a me explicar? Tem um lindíssimo espécime hippie policial que, Jesus...

Ele também ama todos nós, dá saltinhos e rebola!

As tiazinhas da segunda parte que acompanhavam a Manisha também não ficaram pra trás. Com direito a perguntar "que diabos é Ilu?" com a maquiagem na mão, roupas chiques e jóias (para caracterizar que são umas patricinhas inúteis, provavelmente), expressões forçadas e piscadinhas estranhas durante o close (2:56). E, se vocês repararem, há um mix espetacular no tempo, nessa mesma parte: de manhã para entardecer, de entardecer para manhã. Queria poder fazer isso com o meu dia também.

Agora vem o ápice do clipe... Ursinhos de pelúcia em balanços! Eu não consigo fazer com que isso tenha algum sentido, mas acabei de pensar em alguns: pode ser porque é fofinho (e extremamente... retardado) ou porque o nosso filho do Dev Anand tenha dado a ela no decorrer do filme. Bem, isso só poderei saber assistindo ao dito-cujo. Consideremos tal possibilidade.

Outra coisa que também ocorre e é algo que sempre me irrita em se tratando de clipes indianos, é o fato de mais de uma pessoa ter a mesma voz. Ok, gente, eu entendo que seja só dublagem, mas cantores lá no Hindustan não faltam; o que custava ter contratado mais algum pra fazer com que a mãe do rapaz não tivesse a mesma voz da Manisha, e tal? 

E então, pra fechar com chave de ouro, quem nos aparece? Observem um pouco melhor os últimos minutos do clipe e a resposta virá rápido aos mais atentos. Com uma roupa de dar inveja aos rubro-negros e uma barbicha da última moda em Paris, ele, o pai de todos, Anupam Kheeerrr

Contudo, no final das contas, parece que eu me apeguei bastante à musiquinha e fiquei com vontade de ver o filme e entender o contexto. Quem sabe daqui a um tempo eu não venha a postar sobre Saudagar e mate a curiosidade sobre os ursinhos de pelúcia? Eu sei que é uma questão intrigante e que quem ler ficará com vontade de entender. Mas por enquanto me despeço, e até mais. :D

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Bollywood em tela grande: Tees Maar Khan!

Está acontecendo o Festival do Rio, evento pelo qual nunca me interessei e que todos os anos traz à cidade muitos filmes de vários países. Parece que às vezes são exibidos alguns filmes indianos, soube de Om Shanti Om não sei quando e de Taare Zameen Par no ano passado. 

Há poucos dias uma amiga minha me disse que havia um filme de Bollywood no festival. Entrei na página no festival esperando...bem, qualquer coisa menos Tees Maar Khan. É, TMK! Só lembro de ter ficado muito chocada e começar a rir quando li. Analisemos:

1) Filme da Farah Khan!
2) Filme com item number!
3) Filme com a Katrina Kaif!
4) FILME COM O AKSHAY KUMAR! MEU AKKI!

Não curto muito sair de casa, mas não me seguro quando realmente quero algo. Perdi a sessão das 16:30 e a única solução seria ir às 21:30. O filme passou no Fashion Mall, em São Conrado (ô lugar ruinzinho de andar!). Convenci minha querida mamãe, também conhecida como Eliz, a ir comigo. Meu coração se encheu de alegria com isto:


Hora de explicar o porquê de tanto esforço e emoção por um filme do qual não gosto. Sempre que um filme indiano vai passar na telona, é em alguma mostra de cinema. A primeira que conheci foi a da Caixa, a segunda foi a do MAM. É lindo, é legal, mas continuo sentindo que é aquela coisa à parte. Amo cinema indiano e sei que é uma coisa diferente, mas não me identifico muito com essa postura de adorar ser a diferentona. Não que haja algum problema em gostar de algo excêntrico, mas a minha relação com o cinema indiano é de querer ver, ler sobre, ter o máximo possível de contato. Sendo assim, me incomoda muito a dificuldade que temos em conseguir os filmes. Queria andar pela cidade sabendo que posso entrar em alguma sala de grande cinema e lá estará algum filminho do Shahrukh Khan me esperando.

O povinho dançante da UTV! Fiquei toda boba.


Tentativa de Akshay e Akshaye.
Acho que já deu para entender melhor o começo da minha emoção quando vi o nome do filme escrito lá, todo grande e bonito. Isso porque mais cedo eu havia passado de ônibus pelo mesmo lugar e fiquei toda torta tentando ver (e consegui!). Mas não foi apenas isto que me deixou feliz. Ainda falando da lógica dos filmes indianos que passam aqui, sempre há a preocupação dos organizadores de mostras em escolher filmes com o máximo possível de atrativos para o público, que não os conhece. Tem que ser assim mesmo, mas confesso que já não me anima pensar em ir ao cinema para ver Lagaan ou Taare Zameen Par outra vez. São filmes incríveis, mas essa sensação de "normalidade" que eu desejava ter com o cinema indiano na cidade por ao menos uma vez só viria se eu assistisse a um filme muito aleatório, que não tivesse sido decretado por Deus e o mundo como maravilhoso. Só queria ir ao cinema e ver um filme indiano muito ruim, é pedir muito? Sei que é.

Aí, estava lá. Tees Maar Khan. Akshay Kumar. Katrina Kaif. OMG, EU IA VER SHEILA KI JAWANI EM TELA GRANDE! BADE DILWALA!

Tirei fotos da tela porque sou idiota, mas todas ficaram bem ruins. O ar me faltou quando o Akshay surgiu. Oun, minha coisa linda da gengiva gigante! Fiquei o tempo todo perguntando : "Mãe, ele não é lindo?" (a resposta era sempre "Não"). Até pela Katrina dei meus gritinhos internos (alguns externos também), Kat é sempre linda (mais ainda em tela grande!). E o Akshaye Khanna continua sendo o melhor do filme, ri  outra vez das mesmas piadas. Não esqueçam que já comentei o filme aqui.

Depois de ficar dançando Bade Dilwala em público com minha mãe (tudo bem, ninguém viu), ver duas pessoas saindo com meia hora de exibição, morrer com Wallah Re Wallah e ficar podremente emocionada com Happy Ending (minha pobre mãe foi obrigada a ver até o fim), estou certa de uma coisa: um dos piores filmes me proporcionou uma das noites mais alegres do meu ano. Obrigada, Farah Khan!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Bachna Ae Haseeno (2008)

CUIDADO, GAROTAS! O RANBIR CHEGOU!

Kapoor in da house!
C: Aviso: muito da história do filme será contado, pessoal. 

I: O filme conta a história de Raj Sharma (Ranbirzinho queridinho Kapoor), um rapaz cujos impulsos amorosos conduzem a vida, vivendo inconsequentemente nesse sentido, sem se preocupar com os sentimentos das parceiras. Nele, Raj vive três romances em três épocas diferentes: Mahi, em 1996; Radhika, em 2002; e Gayatri, em 2007.

Arrasando com as meninas.


Acho interessante ver como o filme trata o primeiro romance como aquela coisa preciosa, com musiquinhas, estrelas e fofuras. A Mahi é uma DDLJmaníaca e seu maior sonho é encontrar seu Raj. E quem aparece? Ele mesmo, Raj. Acontecem coisas bem filmescas (encontros em estações de trem, "te levo pra casa a salvo" básico, etc.). Ele descobre que ela é prometida a outro, mas os dois prosseguem mesmo assim. How romantic. Até que eles chegam ao aeroporto, onde ela reencontrou a família e deveria seguir seu caminho com promessas de amor eterno, e... Mahi entreouve (bem naquele estilo "estou parada te olhando como uma idiota, e você continua falando asneiras, oh!") uma conversa na qual Raj conta a seus amigos bobões o quão hot ela era, como ele se aproveitou... Bem, amor acabado, fim dessa história. 

Já no segundo romance... Radhika (Bipasha Basu ou Jessica Alba - juro que achei parecida, ok?) surge na vida de um Raj mais bem-sucedido em sua carreira na forma de vizinha gata. E é claro que nosso pegador das arábias não deixaria de notá-la. Romance vai, romance vem, os dois começam a dividir apartamento, o que na mente de Ranbir é algo de caráter meramente temporário, afinal ela é uma moça "adiantada"... Então ele é promovido para um cargo que o levaria a Sidney e conta a ela, esperando um término amigável... só que ela entende como sinal de que devem se casar. E começam os preparativos da parte de Radhika e tentativas de esquivar de Raj. No dia do casamento, a moça é deixada para trás enquanto Sharma voa para Sidney com o melhor amigo bobão, Sachin.

Nenhuma foto dela no táxi ficou boa...
Anos depois, na Austrália, ele conhece Gayatri após levar um fora em seu táxi (sim, ela é taxista) e aos poucos vai sendo cativado por seu jeito espontâneo, feliz e independente, bem Deepika. Sim, você leu certo: cativado. Nosso Raj estaria se apaixonando pela primeira vez. E musiquinhas num cenário igual ao de "O Girl You're Mine" (Housefull), romance e mais romance. Uma vez apaixonado, Raj quer se casar. Arma todo um cenário (velas demais) e a pede em casamento. Contudo, é recusado: Gayatri já havia lhe dito que não gostaria de se casar. Nunca. Seu mundo desmorona exatamente como os de suas ex-namoradas, e ele consegue nitidamente se lembrar (momento flashback) do que as fez passar.

Com isso ainda nem chegamos na Intermission (ou, no português casual, pausa pro banheiro)... E a partir daí vemos Raj voltando ao passado e reencontrando suas ex na tentativa de conseguir o perdão, para poder enfim seguir em paz. Com direito a cenas interessantes e a aparição de Kunal Kapoor punjabi. 

Uma coisa da qual não gosto muito em filmes indianos assim é a forma como os mocinhos sempre são capazes de fazer tudo, como tirar um conversível do bolso e dirigir até o lugar mais lindo do mundo, no qual encontrará uma iluminação digna de festa de casamento e um banquete cinco estrelas. Em Bachna, ele só arranja uma orquestra no meio de uma praça na Suíça para cantar uma música indiana. Só. Aposto que se eu for para um mercado na Espanha eles vão tocar Character Dheela pra mim. 

C: Comigo é o oposto: o impossível tornando-se possível em segundos é uma das coisas de que mais gosto nos filmes indianos. Muito disso vem do fato de eu afastar muito os filmes da minha vida, o que é facilitado por cenas com conversíveis tirados do bolso. Filmes assim deixam muito clara para mim a fronteira entre Bollywood e o mundo real, o que é saudável no modo como encaro a vida. E não vou contar como é este modo, há.

Encher uma praça australiana com velas: uma onda.
I: De uns tempos para cá eu venho gostando mais do Ranbir Kapoor. Não só por ele ser um Kapoor (cof), mas por um certo frescor (sobre o qual a Carol já falou em postagens anteriores) em sua atuação. E, nesse filme, esse frescor é tanto bem-vindo quanto não é. Existem cenas em que se encaixa perfeitamente, outras não. Por exemplo, quando Raj se conscientiza dos erros e começa a se arrepender, acontecem daquelas cenas de emoção: olhos perdidos, expressão vazia, discurso tocante e sábio, música triste ao fundo e close em seu rosto. Olha, sou só eu ou essas cenas são mesmo irritantes? Céus, incluam mais naturalidade nisso!

Não chore, Raj, estamos aqui.

C: Bachna foi apenas o segundo filme do Ranbir (que bebê!), então dá para entender que ele não estivesse aquilo tudo o que podemos esperar de um filme tão grande (produtora famosa, gravações em quatro países). Este assunto é um pouco difícil para mim porque sou muito tolerante com o crescimento profissional do Ranbir, especialmente em relação a este filme. Tem muita coisa com a qual não concordo ali, mas tenho paciência para os draminhas da Yash Raj. Como a Isa citou, o Raj entrou numa onda de discursos emocionados quando sofreu tanto quanto as mulheres que magoou no passado. Calma aí, tem certeza de que o sofrimento foi o mesmo? Está aí a coisa que mais me incomoda neste filme: a Gayatri sempre foi sincera com o Raj a respeito do desejo de ser independente e de não querer casamento, o que não a impediu de namorá-lo e ser feliz com ele. Sendo assim, por que ele a pediu em casamento? Considerou o discurso dela como algo vazio, talvez pensando que no fundo é o que toda garota quer? (Carol indignada – nível 1). A diferença entre o sofrimento dele e o da Mahi e Radhika é que elas realmente foram enganadas, então tinham todos os motivos para não mais acreditarem no amor – especialmente a Mahi, que era muito novinha quando tudo aconteceu. Já ele ainda tinha ali alguém que gostava dele, mas com objetivos de vida diferentes (e repito: estavam claros desde o início!). 

Por tudo isto e mais um pouco que as tais cenas dos “olhos vazios” me irritam mais pelo contexto em si do que pelo clichê que são: na minha concepção, o Raj estava refletindo tudo errado (existe isto?). Aquela carinha de nada era coisa do Ranbs, mesmo. 

I: Pela primeira vez, incrivelmente, gostei da Bipasha. Apesar de ter sido só na primeira parte, quando ela é uma mocinha apaixonada, devota e fofa. Há uma beleza singela e sensual na forma como ela age, diferente (ou quase) da "sou gostosa" que ela costuma ser. Já a Deepika é minha queridinha, me deixa feliz vê-la nos filmes com aquela personalidade forte e ao mesmo tempo fofa, de uma vitalidade bonita. Não que a forma de atuar tenha tido muitas novidades, mas é desse jeito tipicamente Deepika que eu gosto.



C: Na fase de ainda não saber que o Raj é canalha, minha favorita é a Mahi. Ela me faz pensar em menininhas que ficam trancadas no quarto vendo A Nova Cinderela e sonhando com um garoto sensível como o personagem do Chad Michael Murray, que escrevia coisas como “Vivo num mundo em que as pessoas fingem ser o que não são” (sim, sou velha e ando lembrando deste filme sem motivo aparente). Dá vontade de sacudir e dizer “Minha filha, DDLJ é só um filme! E o Raj dele nem é grande coisa!”. Na fase em que o Raj a procura para pedir perdão, gostei de ela ter ficado cética em relação à vida e ao amor. Isso tem cara de acontecer com quem sofre uma desilusão muito intensa quando muito jovem, e a Mahi não me parecia muito resistente.


Também gosto de ver a Suíça e daquela cara de bobinha da Minissha Lamba, por quem sinto uma forte afeição por causa deste filme. A mesma coisa que a Isa disse sobre a atuação da Deepika: nada demais, mas a gente se apega. Quero dizer, a Isa se apega. A Deepika estava com cara de nada no filme (combinando com o Ranbir, hein?) e achei engraçado como ela trabalhava em todos os empregos do mundo e estudava só na maquiagem e no saltinho, sem nem sombra de olheiras. Mas tudo bem, isto não me incomodou tanto. A Bárbara já me ensinou há muito tempo a valiosa lição da suspensão da descrença.

A henna escorrendo :(
Na fase do Raj arrependido, minha favorita é, sem sombra ne-nhu-ma de dúvidas, a Radhika. Ao contrário da Isa, pouco me importei com ela na primeira fase. Não é certo nos vingarmos das pessoas com tanta intensidade (ela fez o Raj de escravo quando ele perguntou o que poderia fazer para conseguir seu perdão), mas quem disse que é fácil não fazer isto? O homem a abandonou no dia do seu casamento. Vestida de noiva. Chorando na chuva. Sem deixar um bilhetinho de adeus. Já posso dar uma surra?

Você é diva, Radhika!
O que gosto nela não é nem tanto o que faz com o Raj, mas a atuação da Bipasha ao gritar tudo o que ele a fez sentir. Ela poderia ser jogada no lixo porque era uma garota moderna que morava com o namorado? Seria ela menos que qualquer outra mulher, menos que uma mocinha submissa de sári? Achei incrível que mesmo com todo o dinheiro e fama que conseguiu posteriormente, ela nunca tivesse perdido o sentimento de que havia sido abandonada porque valia pouco. Faz com que eu reflita sobre o quão profundas podem ser as marcas deixadas nas outras pessoas pelas minhas ações. Hum... entendi agora! O Raj também percebeu isto. Pensando melhor, o filme tem a característica muito legal de mostrar um herói confessando que errou e pedindo perdão à mulheres. É, o mundo ainda não está perdido.

Minha personagem favorita dela.
A trilha sonora é da dupla Vishal-Shekhar, sendo o quatro trabalho dela que comentamos aqui. Não há nada muito original, mas considero-a uma das melhores trilhas dentre as que tem um estilo mais jovem e moderno. Começando pela música-título do filme, Bachna Ae Haseeno. É uma releitura de uma música de mesmo nome do filme Hum Kisise Kum Naheen (1977), estrelado pelo amor da minha vida e pai do Ranbir, Rishi Kapoor. Espiem aqui o trabalho do Rishi ji. A versão atual mesclou a voz do Kishore Kumar (um dos meus favoritos) com a do Vishal Dadlani e o resultado ficou bem legal. É engraçado ver o Ranbir em clima de sedução com as três heroínas, porque pelo menos para mim ele não estava lá muito sedutor.

E dá-lhe Kunal Kapoor de turbante!
Jogi Mahi é o musical mais tradicional e mais bonito do filme, e nele é mostrado o Raj reconciliando Mahi com seu marido, Jogi (Kunal Kapoor). É um musical repleto de cores, do tipo que faz a pessoa se apaixonar por Bollywood.


Small Town Girl é um dos musicais que mais gosto do Ranbir no mundo todo (animei)! Além de estar dançando em praça pública, a dancinha dele é tão divertida... se tem uma coisa que gosto de ver, é gente que parece estar se divertindo ao dançar. Minha noção de "bom dançarino" é totalmente não técnica, tanto que gosto muito mais de ver o Ranbir e o Shahrukh Khan dançando do que o Hrithik Roshan, por exemplo. Também gosto de Aahista Aahista porque a Minissha é adorável e a Suíça, mais ainda.

Dançar numa praça italiana: outra onda.
Khuda Jaane é muito famosa e as pessoas acham linda, mas rio muito com o Ranbir fazendo movimentos clássicos de clipes românticos e não consigo levá-la a sério.

Acho engraçado. Sóri ae, sociedade.
É por me apresentar tanto conteúdo para reflexão que adoro este filme. A atuação do Ranbir poderia ter sido um pouco melhor e a da Deepika também, mas não foi nada ruim a ponto de me querer fazer desistir do filme. No resultado final, foi uma moral muito estranha embrulhada em um papel bonito. É bem a cara do diretor Siddharth Anand. Como filmes hiper coloridos são meu fraco (não terminei falando bem da bomba Tees Maar Khan?), funcionou para mim.

I: Concluindo: vale a pena conferir Bachna Ae Haseeno, mas sem esperar muita coisa, porque é aí que ele o surpreenderá. E bom Ranbisshapika¹ para vocês!  

(¹ - Joguinho ridículo de palavras que resultou num nome estranho até demais)